9 de ago de 2018

AMAMENTAÇÃO E LIBERDADE


Essa semana comemoramos a semana mundial do aleitamento materno. Quanto mais a gente pesquisa, mais benefícios são conhecidos...para a mãe, para o bebê, para o mundo. Exagero? Nem um pouco. Tem pesquisadores que se dedicam a estudar até o impacto ambiental do bebê ser amamentado exclusivamente no peito por 6 meses, como preconiza a Organização Mundial de Saúde. Ainda não está claro? Já pensou na economia de água, energia e o tanto de detergente não utilizado quando o bebê não usa mamadeira?

Quando a gente vai para o aspecto da saúde, dá para escrever um livro de tudo que já sabemos de impacto positivo para a mãe e para o bebê. Aumento do vínculo afetivo, menos doenças, mais proteção, prevenção de obesidade, impacto no desenvolvimento cerebral (sim, afeta até o intelecto dos bebês!)....é realmente uma infinidade de benefícios.

Por tudo isso, sou fã incondicional do aleitamento materno. É o meu tema predileto, eu amo ajudar mães a amamentar, dar pequenas dicas que fazem a diferença. Trabalhei por 3 anos no hospital materno-infantil de Brasília. Apesar da minha lotação ser nas alas, atendendo as crianças hospitalizadas, a minha chefe sabia: o meu local predileto era junto das nutrizes. Eu podia passar um plantão de 12h conversando, tirando dúvidas das mães, auxiliando na pega. Amo, amo, amo!

Eu já tinha experiência em orientar amamentação quando me tornei mãe. Com minha primeira filha, foi tudo como sonhei. Com o segundo filho, para minha surpresa (e tristeza!), foi uma dificuldade só. Antes dos 3 meses, eu precisei entrar com complemento. Essa experiência, no entanto, me serviu para respeitar ainda mais cada caso. Amamentar é lindo, maravilhoso, mas algumas mulheres, mesmo recebendo ajuda, têm sim dificuldades que independem de sua vontade. Críticas e pressão em cima das nutrizes não ajudam em absolutamente nada. Aliás, as palavras para as mães (de primeira viagem ou não) deveriam sempre envolver respeito e acolhimento.

Além das dificuldades que às vezes  acontecem para amamentar exclusivamente o bebê (geralmente o problema é na pega e conseguimos corrigir, mas há outros casos que podem comprometer a produção de leite, como no pós-operatório imediato da cesariana, mulheres que fizeram cirurgia de redução de mama, etc), há ainda os casos em que a mãe não deseja amamentar. O que fazer? Eu costumo conversar, mas sobretudo é importante RESPEITAR!! As razões para uma mulher não querer amamentar são variadas e nem sempre ela vai querer revelar, podem envolver medos, violência sofrida, muitos outros aspecto que nem cabem a mim descrever. Cada história é única.  A decisão da mulher sobre amamentar ou não deve ser respeitada.

Eu acho bacana as campanhas, sou uma defensora apaixonada do aleitamento materno. Mas amor e carinho não vêm apenas do peito. Amamentar, assim como ter tido um parto normal ou cesariana, não é o que define o valor da mãe. Eu tive experiência de parto e amamentação diferentes com cada um dos meus 4 filhos. Muito do que aconteceu (de bom e de dificuldade) foi alheio ao meu empenho em fazer o melhor.

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