4 de set de 2016

Quando tudo o que o outro precisa é um pouco de você. DOAÇÃO!

Semana passada minha família recebeu uma notícia impactante. Nosso amigo (e meu compadre) Daniel Araújo Lima foi diagnosticado com leucemia. Ele mora em Fortaleza e logo começamos com os pedidos de doação de sangue e plaquetas a todos os amigos (e aos amigos dos amigos) que moram lá. As doações são essenciais no tratamento. Todos sabemos que o tratamento do câncer é duro para o paciente e para todos os que acompanham a sua jornada de luta pela cura.

No nosso caso, esse início de jornada não pode ser definido como tristeza. Tem a internação, a dor, os efeitos colaterais, mas também sobra união, esperança e algumas alegrias. E uma delas é quando somos informados que muitos doadores compareceram ao Hemoce para, literalmente, dar o sangue por Daniel. Que felicidade!



Porém, a jornada é longa e os estoques nos hemocentros Brasil afora precisam aumentar. Pensei em fazer um post com linguagem fácil explicando o que é leucemia, os tipos, tratamentos, etc., mas não consegui. Não consegui simplificar o que é complexo e que até para quem é da área de saúde é difícil entender com precisão. Bem, quem conduz o tratamento é o hematologista, mas todos nós podemos contribuir. TODOS! E é por isso que esse post levou esse título, DOAÇÃO.

Sei que muitos têm vontade de doar, mas não o fazem por algum impedimento de saúde. Ou porque têm dúvidas e medo, isso é normal. Mas se você não pode ser doador, que tal conversar sobre o assunto com os amigos ou ajudar nas campanhas de divulgação? Se você conseguir levar uma única pessoa para doar plaquetas ou sangue, acredite, já terá sido uma valiosa contribuição.

Alguns esclarecimentos....

SANGUE: esse fluido que percorre todo nosso corpo é produzido no interior dos ossos (medula óssea) e está sempre sendo fabricado. Na verdade, ele tem duas partes, uma sólida (formada por diversos tipos de células) e uma líquida, chamada plasma. A parte sólida é formada pelos glóbulos vermelhos (responsáveis pelo transporte de oxigênio), glóbulos brancos (nossas células de defesa) e as plaquetas, as quais são fundamentais para o processo de coagulação.

O que acontece na leucemia? Há uma superprodução de células brancas anormais, as quais vão se alastrando pela medula óssea. Essa infiltração prejudica a produção e funcionamento das células sanguíneas normais. Dessa forma, o paciente fica com a imunidade muito reduzida, já que suas células de defesa podem estar suprimidas ou com função prejudicada. E também, com a produção comprometida de plaquetas, o paciente pode sangrar excessivamente. Precisa muito de plaquetas!

Então doar sangue é o mesmo que doar plaquetas?

Em tese sim, já que ao doar sangue, as partes que o compõe podem ser posteriormente separadas pelo banco de sangue. Aí o paciente pode receber a bolsa do componente que precisa: hemácias, plaquetas...

Como expliquei acima, o paciente com leucemia precisa receber frequentemente plaquetas. Os níveis no corpo não podem ser muito baixos, sob o risco de morte por hemorragia.

Daí é tão importante a doação específica de plaquetas! E como isso é feito?

Nosso amigo Vito na coleta de plaquetas
por  aférese. HEMOCE set/16
A doação de plaquetas é diferente da doação de sangue. Nela o sangue é retirado com a ajuda de um equipamento, responsável por separar as plaquetas e devolver ao doador os outros componentes sanguíneos. É a chamada coleta de plaquetas por aférese. O nome é esquisito, parece complicado, mas para o doador não difere tanto de uma doação de sangue convencional. Mas as diferenças para as pessoas beneficiadas são grandes! Por esse procedimento, é possível coletar de 6 a 8 vezes mais plaquetas do que uma doação comum. A reposição de plaquetas do doador ocorre de forma muito rápida, em torno de 48h. Tanto é assim que o doador, caso queira, pode doar novamente a cada 72h. O tempo no banco de sangue é um pouco maior, a coleta dura em torno de 90 minutos. Para esse procedimento, os critérios também são mais rígidos. Um exemplo de restrição é de mulheres que foram gestantes. Todos os detalhes você pode conferir no site dos hemocentros ou no local onde pretende fazer a doação.


Muitos avanços têm sido feitos no tratamento da leucemia e outros tipos de câncer. Mas é sempre uma dura realidade para as pessoas acometidas. É difícil, é penoso, dá medo. Mas nós, familiares e amigos ou bondosos anônimos, temos um incrível poder...o poder de agir e salvar vidas. Sejamos doadores!

5 comentários:

  1. Belo post, Kinha. Estamos todos em oração por Daniel, e ajudando no que for possível.

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    1. Vito, tem uma música bonita que diz que "meu Deus é o Deus do impossível". No plano do que é possível, não consigo pensar em mais nada do que tu e Vica podiam ter feito. Dani é família, é também teu compadre, é nosso amigo. Mas tocou forte no meu coração acompanhar a jornada de vocês rumo a Fortaleza, as doações de sangue e plaqueta, a disponibilidade. É muito lindo ver tamanha generosidade. Um abraço forte para vocês e também para os outros integrantes amados da caravana da alegria, Carmita, Teci e Gueguel.

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  2. Também achei muito bom o texto, Sis!

    Tório, beijo pra você e Viviquinha!

    Karina

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  3. Texto fantastico, muito esclarecedor!
    Com o diagnostico de leucemia em alguem tao proximo e querido, aprendi a ser doadora. E nao deixarei mais de ser. Podemos salvar vidas de muitas pessoas com o minimo que podemos oferecer. Faz bem pro nosso coração, pra nossa alma!

    Flavia

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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