15 de ago de 2016

DIA DOS PAIS

O dia de hoje teve um nome, saudade.
“ Mãe, 5 reais é muito?”, “um ano é muito?”, “100 km é muito?”. Já perdi as contas de quantas vezes precisei explicar às crianças que tudo é relativo. 5 reais é muito para comprar uma bala, mas pouco para comprar uma roupa. Um ano de férias é muito, mas para construir uma cidade é pouco e por aí vai. Bem, meu pai partiu há 56 dias. Talvez seja pouco para o coração parar de doer, mas já são muitos dias de saudade.
Meu pai faleceu muito jovem, aos 65 anos. Mais jovem ainda foi quando recebeu o diagnóstico de Parkinson, tinha apenas 40 anos. Nesse “jogo” do relativo, posso pensar que ele ter vivido mais de 20 anos com uma doença difícil e limitante foi muito. Muitas também foram as suas aventuras e por isso tinha tantas histórias para contar. Muito conversador, saía fazendo amigos pelo mundo. Bastava 5 minutos de prosa e ele já te daria o telefone e estaria à disposição para ajudar em qualquer que fosse o assunto...qualquer um, acredite.
Seu pai convidaria a recepcionista de um hotel para jantar só porque ela foi gentil com sua filha? Adivinhou, meu pai era assim. Isso aconteceu quando eu tinha apenas 15 anos e essa recepcionista em questão, uma senhora alemã chamada Renate, virou uma grande amiga com quem me correspondo há mais de 20 anos. Quando soube do falecimento do meu pai, ela me enviou um cartão lindo e com uma imagem que me tocou muito, um lindo pôr do sol no mar. A foto me tocou porque pensei no meu pai como o sol de inverno...é tão bom, tão celebrado e vai embora cedo.

 
Quando soube da mais triste notícia, parece que o chão se abriu, que o mundo girava. As noites se tornaram longas e tristes. Ficou frio, ficou escuro. Mas o sol, quando se põe, não morre. Ele ilumina outro lugar. O senhor, pai, foi meu pôr do sol do inverno. Não está mais aqui, mas sei que brilha em outro lugar.
                                                       FELIZ DIA DOS PAIS!

16 de mai de 2016

Turismo com crianças. Houston, Texas


Se alguém tivesse me falado, 8 meses atrás, que eu viria morar nessa cidade gigante, certamente não acreditaria. Foi quase um imprevisto virmos parar aqui. Nesse mundão lindo e cheio de lugares interessantes, Houston não apareceria na minha lista dos sonhos de lugares para morar…mesmo que essa lista tivesse assim umas 100 cidades. Não foi planejado, mas tem sido muito bom. Meus gêmeos ainda não estão na escola; sendo assim, faço turismo quase todos os dias : ) Aí vão os lugares que gostamos de ir:

·      Parques.
Os dois maiores são Memorial Park e Hermann Park. O primeiro é enorme e ótimo para andar de bicicleta, mas não há muitos “pontos de apoio”ou parquinhos. Uma parada excelente para os menores dentro do Memorial é no parquinho que fica na Haskell St, bem em frente à Paróquia Santa Teresa. Aliás, quando a Missa das 10h acaba, o parquinho fica cheio de crianças.

 O Hermann é circundado pelo zoo e vários museus. Tem anfiteatro, área de parquinho, pedalinho, um gramado gigante (as crianças rolam ladeira abaixo). Bem gostoso.
Ainda não tivemos a oportunidade de assistir aos espetáculos do “teatro aberto”, mas já me disseram que é excelente. E a programação pode ser acessada aqui: milleroutdoortheatre.com
http://milleroutdoortheatre.com/media/files/user/AboutThePark.jpg
No Hermann park há parquinho, gramado imenso, teatro aberto,  trenzinho e muitos museus em volta



http://houstonlivingonthecheap.com/wp-content/uploads/2013/10/Houston-Miller-outdoor-theater-1000.jpg

Parquinhos há aos montes pela cidade e em todos os bairros. O pátio da escola das crianças fica aberto nos fins de semana (acho que em outras escolas deve ser assim também). Vamos bastante lá jogar bola e também a alguns mais distantes, como o Donovon Park no 700 Heights Blvd
(parquinho delicioso, brinquedos de madeira, diversão garantida para quem tem filhos até 10 anos). 

·      MUSEUS.
-       CHILDREN’S MUSEUM. Dizem que é o maior museu para crianças nos EUA. A verdade é que não conheço outros para comparar, mas esse realmente é fantástico. Tem biblioteca, vários cantos para trabalhos manuais, laboratório e estandes de muitas profissões. Dá para brincar de policial, médico, carteiro, caixa de supermercado, jornalista…muito legal! É para todas as idades, mas a partir dos 4 anos dá para curtir para valer todas as atrações de lá.
Ingresso: 12 dólares.  Às quintas, a entrada é gratuita a partir das 17h.


Museu das crianças é certeza de diversão...do lado de dentro ou na parte externa
-       HEALTH MUSEUM. Fica ao lado do museu das crianças. É pequeno, mas conta com vários espaços para explorar e muita coisa para aprender! Acho que crianças a partir de 8 anos vão aproveitar mais.
-       MUSEU DE CIÊNCIA NATURAL. Excelente! Várias galerias, com destaque para a dos dinossauros, além de cinema 3D, planetário, borboletário. O único problema é que é preciso pagar para cada atração em separado. A entrada é gratuita às quintas, das 14h às 17h. 
-      NASA É a atração mais famosa daqui, mas ainda não fomos! Certamente é um dos passeios que faremos nessas longas férias de verão .

http://www.aquariumrestaurants.com/downtownAquariumHouston/images/slides/home/01.jpg            Além do aquário em si, há algumas atrações paralelas, como parque de diversão, trenzinho do tubarão, espaço para alimentar raias. E o restaurante! Já entramos uma vez no aquário e já me dei por satisfeita. Mas ir ao restaurante possiblita ver centenas de peixes e ele é apenas um pouco mais caro que restaurantes comuns. Vale a pena ir à noite lá em alguma ocasião especial. E a parte externa fica toda iluminada, inclusive as fontes de água. Fica lindo.

http://www.bigkidsmallcity.com/wp-content/uploads/2015/04/Houston-Zoo-Splash-Pad-Dragon-and-Bucket.jpg            O zoo de Houston é fantástico! Sempre que estamos sem programa, damos uma passada lá. Há sempre alguma atração ou evento. E é imenso! Sempre cheio de crianças correndo, carrinhos… Na última visita, descobrimos um canto (fica perto das girafas) com fontes de água em que as crianças podem brincar. Aliás, eles até vendem nesse lugar roupa de banho e toalha, mas, é claro, você pode levar tudo de casa (eu levo o lanche também na mochila porque lá tudo custa caro). Vale muito a pena visitar o zoo…várias vezes. 


RODEIO
Acontece no mês de março e é cheio de atrações! É um programa cansativo e caro também, mas adorei e espero ir todos os anos. As crianças se esbaldaram nos brinquedos, viram muitos filhotes de animais e meu caçula até participou de uma corrida na ovelha. Se você tiver em casa um candidato a peão de 5 ou 6 anos, lá é um bom lugar para começar.


Para quem vai passar mais tempo em Houston, algumas outras dicas:

·      Descontos nas atrações:
-       Os museus têm dia de entrada gratuita, geralmente às quintas. No zoo, é apenas uma quarta no mês. Correntistas do Bank of America têm entrada gratuita em muitos museus da cidade no 1o fim de semana de cada mês.
-       Todas as atrações oferecem possibilidade de membership. Vale a pena checar as condições. Quase sempre, o valor da anuidade é inferior aos ingressos de 2 visitas. Fizemos do zoo e valeu a pena já em apenas 1 mês de uso.
-       Sites de compra coletiva. Acho bem chatinho receber tantos emails do Groupon e Goldstar, mas já descobrimos muitos programas legais pelos anúncios que eles mandam, além dos excelentes descontos (ex: comprei anuidade do Museu da Saúde para a família por apenas 18 dólares).

* Biblioteca pública

- Além do acervo excelente de livros infantis, ainda é possível pegar emprestado DVD, CD. Um item que eu acho fantástico é o KIT FLIP. Nele vem um livro e material de apoio para os pais (guia para atividades dirigidas + todo material didático). No kit vem um questionário de avaliação que toma só 3 min para responder. E, ao devolver, você ganha grátis um ingresso familiar para o Museu da Criança. Ou seja, além de proporcionar uma atividade superbacana com as crianças, ainda ganhamos de brinde ingressos cujo valor beira os 50 dólares. E não acabou! As bibliotecas ainda oferecem várias atividades, como contação de histórias para crianças em idade pré-escolar. 

Essa sacolas com fundo preto são os FLIP kits, os quais são divididos por faixa etária. Adoro!
 


 
As bibliotecas públicas de Houston oferecem atividades gratuitas para as crianças,  como contação de histórias, projeção de filmes e algumas oficinas. Vale a pena checar a progamação da biblioteca mais próxima de sua casa. As salas ficam cheias de bebês e crianças em idade pré-escolar. Uma boa oportunidade de socialização para os pequenos e as mães. 


* Missas em português

- Acontecem nos 2o e 4o domingos de cada mês às 15:45h, na Paróquia St John Vianney. 
As crianças podem participar da catequese em português e também há curso para batismo e para noivos.

·      PELOS ARREDORES…
-       Woodlands. É uma cidade/bairro a 1h do centro de Houston e é linda. Um bom lugar para passear no domingo. A gente costuma almoçar no Brio (um dos poucos restaurantes com menu kids mais variado- Lara sempre escolhe o salmão e a lasanha de lá faz sucesso com Lucas) 
Meu sobrinho Dudu em um dos jardins de Woodlands
-       Galveston. A praia de lá não enche os olhos dos brasileiros, ainda mais se você for nordestina(o) como eu, mas a gente acha uma delícia passear lá. Uma mudança completa de visual a 1h de Houston. No caminho, há o outlet Tanger (tem um monte de lojas infantis e umas tantas para nós também)


  Bayou Wildlife zoo. Localizado em Alvin, a uns 40min de Houston. Esse zoo fica bem perto do outlet que acabei de comentar. A grande atração é que ele oferece a sensação de safari. Os visitantes vão num carro aberto e os animais chegam bem perto, a gente pode dar comida a eles. As crianças ficaram encantadas. No fim (ou no começo) do passeio, as crianças também podem dar uma pequena volta a cavalo.
-       Huntsville State Park. Fica a umas 2h de Houston. A entrada nesse parque custa 5 dólares por adulto. A gente foi parar lá porque estamos tentando descobrir lugares para pescar (se você quiser outras sugestões de parques com lago, é só me escrever). A verdade é que não fisgamos peixe algum, mas certamente voltaremos a esse parque. É para quem curte um dia em contato com a natureza (ou um progama estilo “farofa” .kkk)…lá tem trilhas, pedalinho e caiaque para alugar, lugar para tomar banho de lago, mesas de piquenique e espaços para churrasco. Cuidado com os jacarés. Vimos um no lago!
Pedalinho, caiaque, banho de lago, pescaria...dá para passar um dia muito agradável no Hunstville park
     
 ACADEMIA
Uma das brinquedotecas da YMCA. Boa opção para quem  tem filho que ainda não está na escola.

Somos sócios da YMCA e vale muito a pena! A mensalidade da família toda é de 95 dólares e a academia têm um ótimo espaço para as crianças ficarem enquanto os pais estão se exercitando. Na academia que frequento (há várias YMCAs pela cidade e os sócios podem ir a qualquer uma), tem um ginásio só para mulheres com uma televisão que transmite a área das crianças. Impossível ficar mais tranquila para malhar. O child watch recebe até bebês de colo e com uma ótima estrutura. Uma opção para as mães descansarem um pouquinho. Recomendo!
Última dica: se você tem filhos pequenos em idade escolar, uma maneira excelente de conhecer Houston é participar dos passeios escolares como mãe (pai) voluntária (o). Uma amiga me deu essa dica (obrigada, Andreia) e realmente foi tudo de bom! Pagamos bem menos pelo ingresso e as visitas guiadas são superinteressantes. Curiosidade: para participar desses passeios, você tem que se cadastrar com antecedência e mostrar documento na escola, pois há uma checagem da ficha criminal. E, além disso, a gente não pode ir no ônibus com as crianças.  Realmente é bem diferente toda essa burocracia , mas o fato é que participar das school trips é um incentivo a conhecer lugares legais e ainda passar um dia bacana com a turma de seu filho. Muito bom!

8 de mai de 2016

DIA DAS MÃES

Antes de ser mãe eu achava que…


·      Quando ficasse grávida, iria ouvir música clássica o dia inteiro, aprender a bordar e finalmente iria ser uma pessoa organizada;

·      Dar à luz seria o momento mais marcante e poderoso da vida;

·      Amamentar seria tão natural como respirar. Os bebês seriam amamentados exclusivamente no peito até os 6 meses e seguiriam mamando até 2 anos ou mais. Aliás, tudo que é manual da Organização Mundial de Saúde seria cumprido à risca e sem dificuldades;

·      Eu iria amar meus filhos incondicionalmente e que eles só me trariam alegrias. Ok, e um pouquinho de trabalho também;

·      Iria brincar o dia inteiro de casinha, bola, pique-pega e tudo o mais que as crianças quisessem. E sem me cansar;

·      Mamadeiras e chupetas seriam artigos nunca vistos na minha casa. Balas, biscoitos recheados, suco artificial, refri…..jamais!

·      Eu saberia controlar as crianças só com o olhar. Nada de gritos ou perda de paciência, só conversa e crianças obedientes;

A lista está ficando grande e eu ainda nem terminei de descrever as maravilhas por mim imaginadas da vida de mãe. 

LARA, LUCAS, ANA E DAVI. Amor sem fim.



E aí veio a realidade!

Ah, a realidade….tem sim o amor sem fim, a vontade de acertar e fazer o melhor para cada um deles, o esforço em educar sem gritos, a ida frequente ao mercado para garantir uma boa alimentação. Mas há o cansaço, os dias em que existe a vontade de se jogar no chão e chorar, as birras que tanto estressam,  o coração que fica magoado, a paciência que é finita. Uma frase que vivo repetindo aqui para as crianças é “eu sou apenas um ser humano”. Digo isso quando a bagunça passou do limite e já estou no limite das minhas forças. Parece exagero, mas isso é uma sensação frequente. Ainda bem que o dia tem começo, meio e fim. E se uma noite parece triste e melancólica, logo vem o dia iluminado e arrebatador. Meu coração de mãe às vezes bate assim, parece que mergulha em um mar de sentimentos em um único dia. Acho que isso acontece pelo fato de eu ser apenas um ser humano. Mas sou mãe também. E, por isso, quero sempre comemorar!

FELIZ DIA DAS MÃES!!

PS: essas fotos foram tiradas hoje em um passeio bem bacana que fizemos com as crianças. Na volta para casa, pensei em escrever um texto para as mães entitulado PESCARIA SEM PEIXE.  Não só para falar o que aconteceu hoje (horas à beira do lago e necas de peixe), mas fazer um paralelo com a nossa vida de expectativas x realidade. O post acabou saindo diferente, mas aí vão as fotos assim mesmo. Beijos

6 de mai de 2016

AMOR DE GÊMEOS

         Muita coisa mudou nessa casa cheia de crianças nos últimos meses. E não foi apenas o fato de estarmos mais uma vez fora do Brasil. É que finalmente pude acompanhar e chamegar de verdade meus gêmeos Ana e Davi, agora com 5 anos. Deixa eu explicar melhor.
                       
Não sei o que é maior: se meu amor por eles ou aquele que há entre eles.  Mas isso não é importante, só tenho uma certeza: é muito amor envolvido. . 


           Quando os gêmeos nasceram, já encontraram uma casa bem animada, com uma irmã de 3 anos e um irmãozinho que acabara de completar 2 anos. Eu amamentava, cheirava um pouquinho os bebês e corria para ficar com maiores. Sentia que tinha uma “dívida”com os filhos mais velhos, já que com o barrigão da terceira gravidez eu não conseguia correr e brincar como antes. Bom, isso tem nome e é fácil de advinhar: sensação de culpa. Sobre isso, conversamos em outro momento.
Ana e Davi, além do fato de serem gêmeos, cresceram dividindo espaço e atenção com os outros irmãos. Com apenas 18 meses, entraram numa escolinha porque voltei a trabalhar. De manhã, ficavam todos na escola. À tarde, todos comigo. Estavam bem e adaptados com a rotina de escola no Brasil, mas quando chegamos nos EUA, em dezembro de 2015, eles não tinham idade para a escola. Teriam que esperar mais de 6 meses para entrar no próximo ano escolar, que começa no fim de agosto. Ainda procuramos escolas particulares, mas o preço acabou sendo o maior empecilho. Decidimos que frequentariam uma escolinha perto de casa 2x/sem e ficariam esse semestre mesmo com a “teacher mom”, como eles me chamam. E aí a magia aconteceu…
            Ver dois irmãos com tanta sintonia é de derreter o coração. Acompanhar ainda mais de perto a cumplicidade, o carinho, a proteção; enfim, esse relacionamento lindo entre eles, foi certamente um dos maiores presentes desse ano. Eles também viraram os meus maiores companheiros aqui e juntos temos desbravado essa cidade gigante. Parques, museus, lojas, bibliotecas…temos ido a tantos lugares que já estou meio metida e dando dicas até para quem é daqui. Fazer o mercado com esses dois sapecas é muito mais demorado, mas é bom também. Incrível como eles se divertem com os carrinhos, correndo entre os corredores e provando tudo que é amostra. Aliás, acho que eles têm uma certa participação no fato de terem parado de colocar amostras de tortilhas quentinhas na padaria do supermercado. Não interessava se eu sempre comprava um pacote, a diversão era ir correndo e pegar os pedaços que estavam para amostra. Esse item eles não encontram mais, mas continuam dando uma baixa nos pedaços de frutas, copinhos de sucos e muito mais. kkk
                                            

            Já não são mais bebês, mas tenho carregado, colocado no colo e beijado muito, como nunca fiz antes. Hoje compramos camisetas para a escola que começa só em agosto. Daqui a poucos meses,  sairão com os outros irmãos bem cedo de casa e voltarão só de tarde. Vou ganhar  muito tempo livre, o que também é uma delícia, mas também perderei a companhia durante o dia da dupla mais feliz e amorosa que já vi.

28 de abr de 2016

Amamentar. Quer saber como ajudar?

Essa semana fui a uma reunião da Liga do Leite aqui no Texas. Era um encontro informal, em uma sala de um café nada convencional (vocês já viram algum coffee shop sem fins lucrativos?).  Foi curioso estar em um lugar com mais de vinte nutrizes com os seus bebês e eu ali com as mãos livres. No meu trabalho na maternidade, a orientação é individual: a mãe, o(s) bebê(s) e eu. Então resolvi participar desse encontro para ver como funciona, já que amamentação é meu tema predileto e adoraria continuar trabalhando aqui nos EUA, ainda que de forma voluntária. 

Bem, voltemos ao encontro. Não tinha palestra, informativos, nadinha. Pura e simplesmente havia as mães e os bebês e uma líder sorridente e conversando descontraidamente com várias participantes. Ela me explicou que esses cafés mensais são para isso mesmo: promover um encontro das mulheres que amamentam…com dificuldade ou não. Há outro encontro mensal, esse sim com um tema para debate.
Passados os minutos iniciais de constrangimento por ser a única sem bebê no colo, comecei a conversar com as pessoas da minha mesa. A primeira foi uma mãe que devia ter uns 20 anos. O filhinho já ia completar 1 ano, mas ela disse que era sempre muito bom participar desses encontros, já que ela não tem muitas amigas com filhos. A outra mãe era uma estrangeira como eu. O filhinho dela nasceu prematuro e ela estava com muita dificuldade com a pega correta, ainda que já tivesse recebido muitas orientações. Contei da dificuldade que também tive de amamentar meu segundo filho. E aí a conversa fluiu.
Amamentar é maravilhoso, mas sim, pode ser muito difícil. E todo apoio é bem-vindo. Se vocês me permitem dar uns palpites, aí vão eles:
·      Para as mamães: o leite materno é o melhor e mais perfeito (desculpem a redundância, mas não sei falar de leite materno sem me empolgar) alimento para o bebê.  Aqui no blog, já falamos de alguns dos inúmeros benefícios e aposto que você já sabe muito sobre isso também. A amamentação é um processo tão natural que os bebês já nascem com os reflexos de busca e sucção. E é lindo! Porém……às vezes é difícil, esses reflexos dos quais acabamos de mencionar nem sempre estão presentes (quando o bebê é muito prematuro, por exemplo), a pega pode não estar boa, o colostro pode não ter aparecido imediatamente. Enfim, a lista de fatores que podem comprometer a amamentação é grande. Se você está insegura, peça ajuda! Conversar com amigas e outras lactantes é muito bom, mas não hesite em buscar ajuda profissional também. Se estiver grávida, que tal já buscar informações e ter o contato de uma consultora em amamentação? Talvez nem seja preciso e tomara que você já saia da maternidade confiante e feliz com a amamentação, mas é sempre bom saber a quem recorrer. A rede de bancos de leite do Brasil é referência mundial (morro de orgulho) e uma das funções é de orientação às nutrizes. Geralmente os bancos de leite estão localizados em maternidades públicas, mas o atendimento é para todos; ou melhor, para todas ;)




·      Para a galera (pai, sogra, avós, tias, vizinhas, etc.): É maravilhoso conhecer, carregar e cheirar o bebê. Ele merece todo o cuidado e precisa de muito amor. Mas a mãe também! Ela precisa de abraços, conforto, comida pronta e muitos mimos. Ela chora…de cansaço, de estresse, de medo. Pode chorar também de desespero, de insegurança…ah, não é fácil. Assim como nem as mães sabem porque os bebês estão chorando às vezes, o que dirá um adulto entender todas as emoções de uma “recém-mamãe”. Respeite as decisões, o modo de tentar e fazer de cada mãe, mesmo que os cuidados pareçam exagerados ou o modo de carregar um pouco desajeitado. Ajude, se ela quiser. Busque ajuda, se ela pedir. Na hora da amamentação, veja se ela está confortável. Busque almofadas ou travesseiros para apoiar o bebê e as costas da nutriz. Deixe um copo d’água ao alcance da mão dela também. Se houver visitas em casa e o bebê quiser mamar, faça “sala” para os convidados. Deixe a mãe tranquila, inclusive se ela preferir amamentar no quarto do bebê. Uma vez fui visitar uma amiga (minha xará, inclusive) com mais outras pessoas. O marido dela recebeu os convidados e avisou que o bebê estava mamando no quarto. Ele nos ofereceu o lanche, as bebidas, conversou e só depois Erika apareceu, sem pressa e feliz. E foi tão legal assim que sempre pedia para meu marido estar presente na hora das visitas. Receber amigos pode ser muito gostoso, caso a mãe não precise aparecer correndo quando os convidados chegam e nem ficar na sala além do que ela quer. Falando em ver pessoas, incentive a lactante a fazer pequenos passeios. Até uma ida à padaria da esquina pode fazer um bem danado para quem passa o dia (e a noite!) entre fraldas, peito de fora e etc. Muito importante também é respeitar as decisões em relação à amamentação, inclusive se a decisão for parar de amamentar. Cuidem muito bem dessa mamãe. Para ela, todo amor e carinho também.

3 de mar de 2016

Que almoço!

Aqui nos Estados Unidos, as crianças ficam na escola até o início da tarde e almoçam lá. Para meus filhos, seria novidade ficar tantas horas na escola, mas eu pensava mesmo na hora do almoço. Ou melhor, eu pensava que nem iria me preocupar com essa refeição. Já que eles vão almoçar bem, o jantar pode ser algo mais simples, não me daria trabalho algum. Bem, era o que eu pensava e foi uma doce ilusão. Foi só eu acompanhar o almoço no primeiro dia de aula para saber que eu teria um encontro diário com o fogão. 

O cardápio do primeiro dia de aula? Pizza e achocolatado! Tudo bem que aqui é o país do fast food, mas vim iludida que a alimentação saudável tinha chegado às escolas. Lembrava da primeira-dama Michelle Obama em campanha contra a obesidade e imaginava que nos refeitórios escolares o cardápio seria saboroso e saudável. Fiquei pasma, mas, com o tempo, vi que não é terrível assim, ainda que no cardápio haja cachorro-quente, hambúrguer, nuggets…

Resolvi contar isso em um post porque sei que muitas pessoas precisam comer na rua diariamente. Com algumas mudanças e cuidados, dá para melhorar bastante a qualidade nutricional de uma refeição, ainda que o prato principal seja cheio de sal e gordura.

No caso da escola das crianças, sempre há como acompanhamento salada crua e fruta. Se a criança come esses itens também, a refeição fica mais equilibrada. O adulto pode fazer o mesmo quando estiver almoçando fora, aumentando o prato da salada, dispensando doces de sobremesa e bebidas. Quando você come um pratos de folhosos ou uma fruta cítrica antes ou após um prato até de feijoada, as fibras “puxam”um pouco da gordura da comida, a digestão fica mais fácil e o ritmo intestinal melhor. Se você sabe que não vai conseguir ter uma boa refeição na rua, deixe pronto um depósito com salada crua e uma fruta. Trocando a batata frita por esses “acompanhamentos do bem”, você pode ter uma refeicão muito melhor, mesmo que seu prato principal seja um x-tudo. 
De todo modo, se seu almoço não foi nota 10, tente caprichar na qualidade do jantar. Não dá para almoçar pizza e jantar cachorro-quente, né? Como contei no início, acabei optando por levar comida de casa para as crianças. O engraçado é que basta ver os depósitos de comida para descobrir onde tem brasileirinho no refeitório. Eu e outras ma˜es brasileiras sempre mandamos arroz e feijão. Bom, isso quase todos os dias, de vez em quando eu me dou uma folga e eles pegam comida lá mesmo. Afinal, sair da rotina de vez em quando, comer uma guloseima, também dá sabor à vida, concordam?

Olá, muito prazer!

Quando o blog foi criado, há mais de 5 anos, os leitores eram: minha irmã, minhas primas e algumas amigas. Acho que eu tinha umas 15 leitoras fieis. Kkk.
Para minha grata surpresa, o número de acessos e a participação dos pais foi aumentando, com comentários no fim dos posts e emails também. Muito bom!

Então, achei que era hora de me apresentar melhor para quem é novo por aqui:
Meu nome é Erika, tenho 37 anos, sou nutricionista e tenho uma vida cheia de aventuras não apenas por eu ter um quarteto em casa –meus filhos Lara, Lucas e os gêmeos Ana e Davi -, mas também porque de tempos em tempos mudo de país com essa turminha toda. Os mais velhos nasceram na Suiça, entraram na escola no Paraguai (onde nasceram os gêmeos), moraram 3 anos no Brasil e agora estamos todos nos Estados Unidos, e tudo isso em apenas 8 anos. Muita mudança, né? O blog foi criado para falar de alimentação infantil e aleitamento materno (meu assunto predileto!). Contudo, os assuntos foram se diversificando e aqui no blog você pode encontrar também posts sobre os desafios da maternidade, viagens com crianças, dicas para aniversário, etc.

Eu acho uma delícia estar aqui, ainda que de vez em quando eu fique meses sem postar nada.  Quando estou no Brasil, minha vida é uma grande correria porque lá trabalho no hospital materno-infantil de Brasília, além de cuidar dos 4 sapecas. Quando estou fora (as mudanças são devido ao trabalho do meu marido), tento me reinventar, estudar, bolar projetos e escrever aqui no blog. Então, agora que estou fora mais uma vez, a gente vai se encontrar aqui com mais frequência. Seja muito bem-vinda (o)!