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9 de ago. de 2018

AMAMENTAÇÃO E LIBERDADE


Essa semana comemoramos a semana mundial do aleitamento materno. Quanto mais a gente pesquisa, mais benefícios são conhecidos...para a mãe, para o bebê, para o mundo. Exagero? Nem um pouco. Tem pesquisadores que se dedicam a estudar até o impacto ambiental do bebê ser amamentado exclusivamente no peito por 6 meses, como preconiza a Organização Mundial de Saúde. Ainda não está claro? Já pensou na economia de água, energia e o tanto de detergente não utilizado quando o bebê não usa mamadeira?

Quando a gente vai para o aspecto da saúde, dá para escrever um livro de tudo que já sabemos de impacto positivo para a mãe e para o bebê. Aumento do vínculo afetivo, menos doenças, mais proteção, prevenção de obesidade, impacto no desenvolvimento cerebral (sim, afeta até o intelecto dos bebês!)....é realmente uma infinidade de benefícios.

Por tudo isso, sou fã incondicional do aleitamento materno. É o meu tema predileto, eu amo ajudar mães a amamentar, dar pequenas dicas que fazem a diferença. Trabalhei por 3 anos no hospital materno-infantil de Brasília. Apesar da minha lotação ser nas alas, atendendo as crianças hospitalizadas, a minha chefe sabia: o meu local predileto era junto das nutrizes. Eu podia passar um plantão de 12h conversando, tirando dúvidas das mães, auxiliando na pega. Amo, amo, amo!

Eu já tinha experiência em orientar amamentação quando me tornei mãe. Com minha primeira filha, foi tudo como sonhei. Com o segundo filho, para minha surpresa (e tristeza!), foi uma dificuldade só. Antes dos 3 meses, eu precisei entrar com complemento. Essa experiência, no entanto, me serviu para respeitar ainda mais cada caso. Amamentar é lindo, maravilhoso, mas algumas mulheres, mesmo recebendo ajuda, têm sim dificuldades que independem de sua vontade. Críticas e pressão em cima das nutrizes não ajudam em absolutamente nada. Aliás, as palavras para as mães (de primeira viagem ou não) deveriam sempre envolver respeito e acolhimento.

Além das dificuldades que às vezes  acontecem para amamentar exclusivamente o bebê (geralmente o problema é na pega e conseguimos corrigir, mas há outros casos que podem comprometer a produção de leite, como no pós-operatório imediato da cesariana, mulheres que fizeram cirurgia de redução de mama, etc), há ainda os casos em que a mãe não deseja amamentar. O que fazer? Eu costumo conversar, mas sobretudo é importante RESPEITAR!! As razões para uma mulher não querer amamentar são variadas e nem sempre ela vai querer revelar, podem envolver medos, violência sofrida, muitos outros aspecto que nem cabem a mim descrever. Cada história é única.  A decisão da mulher sobre amamentar ou não deve ser respeitada.

Eu acho bacana as campanhas, sou uma defensora apaixonada do aleitamento materno. Mas amor e carinho não vêm apenas do peito. Amamentar, assim como ter tido um parto normal ou cesariana, não é o que define o valor da mãe. Eu tive experiência de parto e amamentação diferentes com cada um dos meus 4 filhos. Muito do que aconteceu (de bom e de dificuldade) foi alheio ao meu empenho em fazer o melhor.

28 de abr. de 2016

Amamentar. Quer saber como ajudar?

Essa semana fui a uma reunião da Liga do Leite aqui no Texas. Era um encontro informal, em uma sala de um café nada convencional (vocês já viram algum coffee shop sem fins lucrativos?).  Foi curioso estar em um lugar com mais de vinte nutrizes com os seus bebês e eu ali com as mãos livres. No meu trabalho na maternidade, a orientação é individual: a mãe, o(s) bebê(s) e eu. Então resolvi participar desse encontro para ver como funciona, já que amamentação é meu tema predileto e adoraria continuar trabalhando aqui nos EUA, ainda que de forma voluntária. 

Bem, voltemos ao encontro. Não tinha palestra, informativos, nadinha. Pura e simplesmente havia as mães e os bebês e uma líder sorridente e conversando descontraidamente com várias participantes. Ela me explicou que esses cafés mensais são para isso mesmo: promover um encontro das mulheres que amamentam…com dificuldade ou não. Há outro encontro mensal, esse sim com um tema para debate.
Passados os minutos iniciais de constrangimento por ser a única sem bebê no colo, comecei a conversar com as pessoas da minha mesa. A primeira foi uma mãe que devia ter uns 20 anos. O filhinho já ia completar 1 ano, mas ela disse que era sempre muito bom participar desses encontros, já que ela não tem muitas amigas com filhos. A outra mãe era uma estrangeira como eu. O filhinho dela nasceu prematuro e ela estava com muita dificuldade com a pega correta, ainda que já tivesse recebido muitas orientações. Contei da dificuldade que também tive de amamentar meu segundo filho. E aí a conversa fluiu.
Amamentar é maravilhoso, mas sim, pode ser muito difícil. E todo apoio é bem-vindo. Se vocês me permitem dar uns palpites, aí vão eles:
·      Para as mamães: o leite materno é o melhor e mais perfeito (desculpem a redundância, mas não sei falar de leite materno sem me empolgar) alimento para o bebê.  Aqui no blog, já falamos de alguns dos inúmeros benefícios e aposto que você já sabe muito sobre isso também. A amamentação é um processo tão natural que os bebês já nascem com os reflexos de busca e sucção. E é lindo! Porém……às vezes é difícil, esses reflexos dos quais acabamos de mencionar nem sempre estão presentes (quando o bebê é muito prematuro, por exemplo), a pega pode não estar boa, o colostro pode não ter aparecido imediatamente. Enfim, a lista de fatores que podem comprometer a amamentação é grande. Se você está insegura, peça ajuda! Conversar com amigas e outras lactantes é muito bom, mas não hesite em buscar ajuda profissional também. Se estiver grávida, que tal já buscar informações e ter o contato de uma consultora em amamentação? Talvez nem seja preciso e tomara que você já saia da maternidade confiante e feliz com a amamentação, mas é sempre bom saber a quem recorrer. A rede de bancos de leite do Brasil é referência mundial (morro de orgulho) e uma das funções é de orientação às nutrizes. Geralmente os bancos de leite estão localizados em maternidades públicas, mas o atendimento é para todos; ou melhor, para todas ;)




·      Para a galera (pai, sogra, avós, tias, vizinhas, etc.): É maravilhoso conhecer, carregar e cheirar o bebê. Ele merece todo o cuidado e precisa de muito amor. Mas a mãe também! Ela precisa de abraços, conforto, comida pronta e muitos mimos. Ela chora…de cansaço, de estresse, de medo. Pode chorar também de desespero, de insegurança…ah, não é fácil. Assim como nem as mães sabem porque os bebês estão chorando às vezes, o que dirá um adulto entender todas as emoções de uma “recém-mamãe”. Respeite as decisões, o modo de tentar e fazer de cada mãe, mesmo que os cuidados pareçam exagerados ou o modo de carregar um pouco desajeitado. Ajude, se ela quiser. Busque ajuda, se ela pedir. Na hora da amamentação, veja se ela está confortável. Busque almofadas ou travesseiros para apoiar o bebê e as costas da nutriz. Deixe um copo d’água ao alcance da mão dela também. Se houver visitas em casa e o bebê quiser mamar, faça “sala” para os convidados. Deixe a mãe tranquila, inclusive se ela preferir amamentar no quarto do bebê. Uma vez fui visitar uma amiga (minha xará, inclusive) com mais outras pessoas. O marido dela recebeu os convidados e avisou que o bebê estava mamando no quarto. Ele nos ofereceu o lanche, as bebidas, conversou e só depois Erika apareceu, sem pressa e feliz. E foi tão legal assim que sempre pedia para meu marido estar presente na hora das visitas. Receber amigos pode ser muito gostoso, caso a mãe não precise aparecer correndo quando os convidados chegam e nem ficar na sala além do que ela quer. Falando em ver pessoas, incentive a lactante a fazer pequenos passeios. Até uma ida à padaria da esquina pode fazer um bem danado para quem passa o dia (e a noite!) entre fraldas, peito de fora e etc. Muito importante também é respeitar as decisões em relação à amamentação, inclusive se a decisão for parar de amamentar. Cuidem muito bem dessa mamãe. Para ela, todo amor e carinho também.

22 de fev. de 2013

AMAMENTAR GÊMEOS


Queridos leitores,
Já publiquei essa ilustração algumas vezes aqui no blog e aí vai ela outra vez para mostrar como é possível amamentar 2 bebês ao mesmo tempo.
Quando eu estava grávida de Ana e Davi, eu me senti bastante inspirada pelas histórias bem-sucedidas de amamentação dupla contadas por minhas amigas. Uma delas foi a da Vanessa (a entrevista você lê aqui ).


Larinha repetindo com a boneca o que a mãe sempre amou
fazer: amamentar. 
No hospital em que trabalho, é comum parto de múltiplos (essa semana conheci uma mãe de trigêmeas!) e a maioria das mães nunca tentou e nem sabe que é possível pôr os dois bebês para mamar ao mesmo tempo. É possível e é muito bom! Claro que no começo é preciso de ajuda para que os bebês fiquem bem posicionados (já dissemos e repetimos que PEGA CORRETA é tudo!), mas depois vira automático: pega um bebê, pega outro bebê, encaixa no peito e glub, glub, glub...eles mamam juntos e a gente ganha um tempinho. Eu fiz isso especialmente nos 3 primeiros meses, nos quais os bebês ficam no peito bastante tempo em cada mamada. À medida que vão crescendo, a força de sucção é maior e a mamada dura poucos minutos. Aí, no meu caso, finalmente, cada um tinha sua vez : )

8 de mar. de 2012

DBB 5 Christiane Aquino : AMAMENTAR BEBÊ COM SÍNDROME DE DOWN

Chris e Vito. 100% amor

A série sobre amamentação ganha hoje mais um capítulo especial. Vamos conhecer um pouco a história do Vito, filho da Chris e do Diego. A Chris é conterrânea e amiga de longa data de meu marido. Depois que viramos mães, a gente ainda não morou na mesma cidade, mas, em algum momento, a gente vai se encontrar em Brasília, isso é certo. Eu mal posso esperar para ver o encontro do meu quarteto com o Vito e sua irmãzinha Lara, que tem 2 meses.

Minha vida profissional foi direcionada para a Nutrição, mas eu também tenho outra profissão que pouco exerci, mas da qual me orgulho bastante: a Fisioterapia. Quando fazia estágio em neuropediatria (minha área favorita), conheci muitos bebês e crianças com os mais diversos tipos de deficiências e síndromes. Eu lembro que ficava impressionada com a dedicação dos pais àquelas crianças e como os nossos pequenos pacientes eram absolutamente amados e motivo de muita alegria em suas famílias. Eu sei, esse meu pensamento tem um quê de preconceito. Na minha imaturidade daquela época, eu imaginava que ter um bebê com algum tipo de deficiência era motivo de constante preocupação e angústia para os pais e familiares. Eu estava enganada! Bem, acho que preocupação (e algum sofrimento) é algo que faz parte da rotina de absolutamente todos os pais e pelos mais variados motivos, mas não é isso que norteia a nossa vida, correto?

Faz um tempão que eu não vejo a Chris e ainda não conheci pessoalmente o Vito nem a xará de minha filhinha. No entanto, pelas fotos e mensagens que a Chris posta no FB, só posso concluir que o primogênito da minha amiga é uma verdadeira bênção, uma criança amada e muito feliz. Quanto à Chris, é emocionante acompanhar (mesmo à distância) tudo o que ela e o marido fazem pelo menininho da família. As conquistas no desenvolvimento do Vitinho levam os papais às lágrimas e aquecem o coração dos amigos que estão a milhares de kilômetros de distância. A entrevista foi feita por email. As perguntas saíram daqui do Paraguai e a Chris respondeu de lá dos Estados Unidos, onde mora atualmente. Ela é diplomata e trabalha na Embaixada do Brasil em Washington.


MENU DO BEBÊ: Chris, antes de falarmos sobre a amamentação, você poderia nos contar como foi a sua gravidez, o parto e também como e quando você e o Diego souberam que o Vito tinha síndrome de Down?



Linda !
Primeiramente, gostaria de registrar meu prazer em poder participar de uma iniciativa tão bacana quanto o blog Menu do Bebê – parabéns, Érika, pelo belíssimo trabalho! A gravidez do Vito foi, ao mesmo tempo, tranquila e agitada! Tranquila no que se refere à alimentação (quase não tive enjôos e pude comer saladas e carnes magras) e aos exercícios (fiz ginástica normal com pesos até o sétimo mês e, depois, caminhadas, yoga e hidroginástica até o nascimento), assim só engordei 10 kilos. A gravidez, contudo, foi agitada psicologicamente, no que se refere ao trabalho (muita demanda na Embaixada em Washington) e à alta probabilidade de Vito ter síndrome de Down. Com 12 semanas de gravidez, o teste de sangue acusou probabilidade de 1 em 57 de que o Vito tivesse Down. A ginecologista e obstetra que me acompanhava até aquele momento recomendou a amniocentese (aquele exame em que se injeta uma agulha fina no abdome para retirar líquido aminiótico), mas recusei por considerá-lo invasivo. Não queria arriscar perder o bebê ao realizar o teste (1 chance em 200) ou cometer aborto caso o teste fosse positivo (aqui nos EUA o aborto é permitido em muitos estados e a minha médica ofereceu o procedimento, caso eu decidisse fazer a amniocentese e a mesma confirmasse que o Vito tinha Down). Nem preciso dizer que abandonei a médica na mesma hora e fiz o restante do meu pré-natal com parteiras. Assim, fizemos outro teste de sangue em que a probabilidade de o Vito ter Down baixou para 1 em 221. Com esse resultado, decidi relaxar e curtir a gravidez!

O parto do Vito foi muito emocionante e intenso! Diego e eu nos preparamos bastante: livros, DVDs, cursos, workshops. Completamos o curso do método Bradley de parto normal (12 semanas de curso), em que o pai é figura importantíssima para o trabalho de parto e se torna parte de todo o processo . Decidimos fazer o parto normal, sem anestesia, sem médicos, fora do hospital, com intervenção mínima e apoio de parteira. Foram 30 horas de trabalho de parto, das quais 15 horas ativas (bem diferente da Lara, minha segunda filha, que quase nasce na porta da maternidade e cujo trabalho de parto durou apenas 6 horas, mas isso é uma outra história!). Parte do trabalho de parto foi na banheira. Ouvimos música brasileira, ficamos com o quarto à meia luz e tive Diego me apoiando fisica e emocionalmente, monitorando as contrações, além do carinho da minha mãe todo o tempo. O Vito nasceu nos nossos braços às 6 da manhã do dia 2 de junho de 2010 e os olhos puxadinhos logo nos mostraram que havia um cromossomo 21 extra na vida dele e uma nova jornada a começar na nossa!

As parteiras foram super carinhosas, gentis e acolhedoras conosco e com o Vito. Quando Diego e eu mencionamos que desconfiávamos que ele tivesse Down, a Katie, uma das parteiras, nos indagou: “o que você vê nele que te faz pensar isso?” Respondi: “os olhinhos puxados?” E ela confirmou: “sim e também o formato da cabeça, o dedão do pé mais separado dos outros dedos e a ausência de uma das linhas da palma da mão, não é mesmo? Ele está bem. É um bebê lindo e saudável, mas diante dessa possibilidade de diagnóstico, queremos que você se dirija a sua pediatra o quanto antes para uma avaliação médica.”

Naquele momento, eu não tinha visto nada disso e nem sabia que essas características eram sinal de síndrome de Down, mas aquilo me caiu como uma confirmação. Em apenas 5 horas depois do parto (quando a maioria das mães está descansando), fomos direto à pediatra para confirmar o diagnóstico e buscar aconselhamento. Dr. Ioana Razi nos recebeu como uma grande mãe e nos encaminhou para a geneticista, o cardiologista, a audiologista e o oftamologista. Após baterias de exames nos dias seguintes ao nascimento (recheados de stress e tensão), confirmamos que Vito tinha Down; que não tinha problemas cardíacos (o que afeta 60% das crianças com Down), que não tinha catarata e que sua audição, por hora, estava bem. Ufa! Após conhecer outras famílias com crianças com Down e perceber o tanto de problemas médicos que enfrentam, sentimos uma baita sorte por Vito ser tão saudável! Sentimos também que o momento do diagnóstico, no nosso caso, foi dado de maneira muito sensata, carinhosa e positiva, o que muitas vezes não acontece com outras famílias, que recebem a notícia praticamente como uma sentença de invalidez permanente do filho. Uma das coisas que estamos batalhando nesse momento é pela elaboração de uma cartilha pelo SUS para o momento da chegada do bebê comn Down, orientando pais e profissionais de saúde, dando informações corretas, atualizadas e sensatas sobre a síndrome.

MENU DO BEBÊ: Como foi a amamentação do Vitinho? Você recebeu algum tipo de instrução ou ajuda?


A amamentação do Vito não foi fácil de ser iniciada, mas depois que ele e eu pegamos o ritmo, ninguém mais segurou a gente e consegui amamentá-lo até os 11 meses, mesmo voltando a trabalhar após 6 meses de licença maternidade. O Vito nasceu sem o reflexo de sugar. A maior parte dos bebês com Down não consegue amamentar no peito em razão da hipotonia (falta de força muscular, músculos mais molinhos), mas as mães que insistem e conseguem fazê-lo beneficiam muito as crianças por vários motivos. Amamentar (1) fortalece a musculatura ao redor da boca, o que ajuda na clareza e articulação para a fala, tão comprometida em pessoas com Down; (2) evita inflamação de ouvido, mais comum em bebês que se alimentam com mamadeira; e (3) cria mais laços afetivos entre a mãe e o bebê.

Quando a Chris me enviou essa foto do Vito mamando,
 fiquei minutos admirando. Cena perfeita!
O primeiro passo para garantir a amamentação do Vito foi ensiná-lo a sugar. Usávamos o dedo mindinho para estimular o céu da boca e usávamos uma sonda acoplada ao bico do meu peito para, aos poucos, ensiná-lo a mamar. Em uma semana, ele aprendeu a sugar. Além disso, nós o alimentávamos com uma seringa (sempre que ele esboçava sugar) para que ganhasse peso. Outra técnica foi usar o bico de silicone para aumentar o “input”, ou seja, combater as restrições sensoriais do Vito por meio de estímulo extra. Aos poucos, Vito foi pegando o peito sem a sonda e sem o bico de silicone e aos 2 meses e meio passou a mamar diretamente no peito o tempo todo. Uma outra dificuldade foi a sustentação do pescoço e do corpo do Vito em decorrência da hipotonia. Normalmente, a mãe apóia a cabeça do bebê no canto do braço e do antebraço, faz a pinça com a outra mão e amamenta o bebê. No caso do Vito, no início, eu precisava segurar a cabeça dele com a mão e o corpo com a outra e não “sobrava” mão para fazer a pinça. Assim, precisei da ajuda da minha mãe e do meu marido para que eles segurassem a cabeça ou o corpo do Vito enquanto eu fazia a pinça. Sem o apoio do meu marido e da minha mãe madrugadas a dentro, não teria conseguido amamentar o Vito. Aos poucos, Vitinho foi fortalecendo o pescoço. Em seguida, os estofados de apoio à amamentação foram muito úteis para conseguir realizar a tarefa sem ajuda.


MENU DO BEBÊ: Um cromossomo 21 a mais é a causa dessa síndrome. O que ela interfere na vida do Vito e o que vocês fazem para ajudar no desenvolvimento dele?




A mãozinha ficou vermelha de tanto treinar engatinhar.
O esforço do Vito e a dedicação dos pais
nas terapias vale a pena! Vito atingiu vários marcos do
desenvolvimento muito antes do que geralmente ocorre com
crianças com Down. Ele sentou de 5 para 6 meses, começou a
engatinhar aos 11 meses e andou aos 18 meses. Excelente!
Érika, eu e você temos 2 cromossomos 21. O Vito, desde que era um pequeno aglomerado celular, tinha 3 cromossomos 21. Esse terceiro cromossomo tem cerca de 250 genes e proteínas mapeados. Não se sabe quais serão ou não ativados em cada indivíduo. Esse cromossomo extra é responsável por algumas características físicas, como os olhos amendoados e o dedão do pé mais separado dos outros dedos; e pela deficiência intelectual, que pode ser moderada ou severa. Outra característica é a hipotonia, responsável pela deficiência motora, pela tendência à constipação e pela língua protusa. Com a musculatura mais molinha, crianças com Down têm mais dificuldade para engatinhar, caminhar e falar. Assim, estamos falando de uma síndrome que se manifesta na deficiência física e cognitiva – e não há como saber, desde o nascimento, qual será o nível de funcionalidade do indivíduo. Para ajudar as crianças com Down a desenvolverem todo o seu potencial, iniciamos a chamada intervenção precoce , com sessões de fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia. O Vito tem seis sessões por semana: 3 oferecidas pelo Condado de Arlington, na Virgínia, onde moramos; e 3 privadas. A idéia é ensinar o Vito a fazer, por meio de treino e repetição, o que crianças sem Down ou sem deficiência aprendem naturalmente, brincando.

Um dos genes mapeados no cromossomo 21 é responsável pela fabricação de radicais livres em excesso, responsáveis pela oxidação celular. Assim, o cérebro de uma pessoa adulta com Down se assemelha muito ao de uma pessoa com Alzheimer (com placas cinzentas como sinal de oxidação), doença que ataca boa parte da população Down a partir dos 30 ou 40 anos. Para evitar isso e tratarmos outras questões mapeadas no cromossomo extra (tal como tendência à falta de receptores GABA, responsáveis por nosso foco ao estudar ou executar uma tarefa), usamos TNI – Targeted Nutrition Intervention: anti-oxidantes, vitaminas, minerais e medicamentos alternativos, como ginko biloba.

Todo feliz caminhando com o papai Diego

Vito conseguiu sentar antes dos 6 meses.
E ainda com todo esse charme!
Não dá vontade de dar um abraço bem apertado?
Essas faixas azuis são fitas de kinesio. Vito começou a
 usar esse recuraos 4 meses
Além disso, Vito faz exercícios para estimulação oral, com a técnica “Talk Tools ”, todos os dias; natação aos sábados; e pratica esteira diariamente (com base no protocolo desenvolvido pelo Dr. Dale Ulrich, da Universidade de Michigan ) para melhorar a coordenação motora para andar e correr. Em média, crianças com Down começam a engatinhar com 1 ano e a andar com 2 anos. Vito começou a engatinhar com 11 meses e a andar com 18 meses. Desde os 4 meses, Vito também utiliza Kinesio : aquelas faixas-esparadrapros para estimulação muscular. Enfim, tentamos estimular o Vito a ser uma criança feliz, a descobrir suas habilidades e poder utilizá-las da melhor maneira possível para viver bem em sociedade. A inserção em escola comum é a próxima etapa, mas isso é papo longo, talvez para uma outra entrevista!


Perguntei à Chris se essa foto foi feita em um parquinho ou em alguma sessão de fisioterapia. Ela explicou que,  na verdade, essa piscina de milho fica em um parque-fazenda perto de Washington, mas que eles a utilizam também para fazer os exercícios. Muito estímulo e diversão em um só lugar. Adorei!














 MENU DO BEBÊ: Alguma mensagem para os pais que se preparam para receber uma criança especial?

Para mim, todas as crianças são especiais. Na verdade, não gosto muito da expressão. Prefiro criança com deficiência. A minha mensagem é de amor, dedicação e tenacidade. Aprendi e continuo aprendendo muito com o Vito todos os dias. Ele é uma bênção nas nossas vidas e toca a todos que com ele convivem. Emociono-me com a garra dele ao fazer e refazer os exercícios todos os dias para aprender uma nova habilidade, como pegar um garfo e espetar um pedacinho de ovo para comer. Emociono-me com o sorriso dele de vitória ao conseguir realizar uma nova tarefa-etapa em seu desenvolvimento, como andar. Emociono-me com o carinho que já expressa pela irmã ao beijá-la e o amor que transborda do seu olhar. Encho os olhos de lágrimas só em pensar que ainda há gente no mundo que acha que a vida de pessoas com deficiência não tem valor e que elas não deveriam existir dado os avançados testes que acabam de ser lançados no mercado . Pessoas com deficiência física e/ou intelectual têm todo o potencial para viver em sociedade e contribuir com a sua comunidade da melhor maneira possível. Aqui nos EUA, pessoas com Down trabalham em lanchonetes, supermercados, farmácias, empresas, escolas, enfim são eleitores, cidadãos e devem ser respeitados e ter espaço garantido para crescerem e se desenvolverem em suas comunidades.

Chris, muitíssimo obrigada pela entrevista. Foi emocionante saber mais detalhes da vida do Vito. Obrigada pelas valiosas informações e por ter topado compartilhar aqui no MENU a história de amor de vocês. Beijos


Para finalizar o nosso post, mais um lindo sorriso do Vito:

11 de jan. de 2012

DBB 4 Vanessa Dolce Faria: AMAMENTAR GÊMEOS

Vanessa e os bebês Caio e Nuno
Você já ouviu algum casal dizer que a chegada do bebê mudou pouco a vida? Eu não! Inclusive é assunto comum comentarmos como tudo se transforma depois que viramos pai ou mãe. Se isso acontece quando temos um bebê, imagine quando vêm dois de uma vez!?

Quando eu me descobri grávida pela terceira vez, já tinha dois filhos (e pequenos ainda!) . Semanas depois, ao sair da primeira ecografia e ver dois coraçãozinhos batendo, eu e meu marido quase tivemos um choque. E não foi só de emoção! Um mundo de sentimentos invadiu meu coração: felicidade, preocupação, angústia e medo, muito medo! Além de pensar em como seria a rotina (e tudo o que isso implica em termos de organização de tempo, orçamento, espaço etc.) , eu tinha muito medo de como seria a gravidez, o parto e a amamentação dos bebês.

Em outra oportunidade, falamos dos incessantes conselhos que recebemos quando estamos grávidas ou com bebê de colo. Nas minhas gravidezes anteriores, eu até nem gostava tanto, confesso. Mas dessa vez era um mundo novo para mim e eu queria conhecer, ler, ouvir, aprender tudo sobre a vida de mães de múltiplos . Adorava quando alguém me dizia que tinha uma amiga (ou prima, vizinha, amiga da amiga) que conseguiu amamentar dois bebês por vários meses ou que a gravidez chegou até o fim sem qualquer intercorrência. Eu me enchia de esperança que pudesse ser assim comigo... e foi, graças a Deus!

Melhor que escutar os exemplos felizes, é conviver com amigas e supermães que de uma só vez viraram mães de duas crianças. Uma delas é a nossa entrevistada de hoje! A Vanessa é uma amiga queridíssima, mãe dos gêmeos Caio e Nuno e, se já não fosse bastante, também é uma diplomata supercompetente e com grande sensibilidade social. Ela foi uma grande inspiração durante as 37 semanas em que Ana e Davi cresciam em minha barriga. Quando eu me preocupava com a possibilidade de parto prematuro, eu lembrava que ela tinha chegado até a 40ª semana (isso mesmo, gravidez gemelar de 40 semanas!); quando batia o medo de não ser bem sucedida com a amamentação, ela me contava como fez para manter Caio e Nuno só no peito por 6 meses. Vamos conhecer os detalhes?

Minha amiga feliz e serena, na doce espera por seus
meninos
 MENU DO BEBÊ:
Vanessa, essa série é sobre amamentação, mas será que, antes de falarmos sobre leite materno, você podia contar um pouco de sua gravidez? Achei muito impressionante uma gravidez gemelar ter ido até a 40ª semana! Você fez bastante repouso, se exercitou; enfim, como foi sua preparação para a chegada de Caio e Nuno?

Vanessa:
Oi Menu do Bebê! Em primeiro lugar, é uma alegria poder conversar com vocês. Admiro e leio sempre o blog, que nos ajuda e orienta muito de uma maneira leve e alegre.

Eu tive o Caio e o Nuno na Argentina. Acho importante dizer isso logo de entrada, pois a orientação em geral por lá, a exemplo de países europeus, é muito diferente da que infelizmente vemos hoje ocorrer no Brasil, onde há forte medicalização de atos fisiológicos como parto, gravidez e amamentação, para não falar no número absurdo de cesáreas, na arrogância médica em encurtar a gravidez (raramente alguém consegue chegar a termo, logo começam "problemas" para os quais se indica a cesárea) e por aí vai.

Na Argentina, a possibilidade de uma gravidez gemelar chegar a cabo e de uma grávida de gêmeos ter parto normal (não foi o meu caso, mas se tentou parto normal até o final, e tenho várias conhecidas que tiveram parto normal gemelar) não eram coisas "de outro mundo". Eu não tive restrições alimentares, de exercício; tinha sim orientações que eram todos de bom senso, nada mais que isso. A minha gravidez não foi encarada como doença, mas como algo normal, natural. A única coisa que eu tinha de fazer com mais frequência que uma grávida de um filho só eram os ultrassons.

Minha obstetra pediu repouso relativo a partir da semana 32. Era o procedimento pradrão dela em casos de gravidez gemelar. Os meninos são bivitelíneos, e por isso a preocupação era bem menor que em uma gravidez em que se compartilha plancenta e bolsa. Foi quando eu entrei então de licença médica. Parei de trabalhar, de nadar e de fazer ioga. Trabalhar o dia todo estava de fato pesado para mim. Eu tive uma gravidez saudável, e achei esse período de repouso muito chato. Por outro lado, fui tomada por uma enorme tranquilidade nesse período final, e atribuo isso ao repouso relativo que fiz. Pude me dedicar bastante à Eutonia, que é a prática à qual devo meu bem-estar, físico e psíquico, na gravidez. E pude me organizar bem para a chegada dos meninos.


Sobre a Eutonia, tivemos em Buenos Aires o privilégio de descobrir e conviver com a Frida Kaplan, que sistematizou um método de parto e nascimento eutônicos. A minha preparação consistiu basicamente em fazer as aulas em grupo dessa técnica. Devemos muito à Eutonia e à Frida em especial. Não tinha dores no corpo nem no espírito. Respirava, comia e dormia muito bem até o final. A Eutonia é realmente genial. http://www.fridakaplan-eutonia.com/

Me lembro que a Frida começava as aulas perguntando a data de parto a cada casal. A gente sempre explicava que a data de 40 semanas completas seria 8.8.2008, mas que era gemelar e por isso talvez nao chegasse, então dizíamos julho, junho...e ela sempre reforçava que a data era sim a data de 40 semanas, até que eu fui começando a responder isso desde sempre, internalizei de vez a possibilidade. E a possibilidade virou realidade. Foi o que ocorreu, eles nasceram nessa data. A Frida vale mais que mil terapeutas de todas as classes, médicos e psicanalistas juntos.


Essa foto foi da reta final da gravidez dos meninos, mais ou menos na 36a
semana. A Vanessa me disse que esse barrigão ainda cresceu MAIS.

Agora o que eu vou contar talvez vocês não acreditem, mas é a pura verdade:
sabe barriga tanquinho de atleta? É a barriga da Vanessa hoje. Juro para vocês!
Nada de flacidez, nada de pneuzinho, incrível!
Como ela conseguiu? Aí já é assunto para outro post, eu também vou querer
saber tudo porque a minha situação "abdominal" é exatamente a oposta. Hehehe
MENU DO BEBÊ:
E a amamentação, como foi? Você recebeu algum tipo de orientação especial antes e/ou depois que os meninos nasceram? Contou com o apoio de especialista em lactação?


Vanessa:
Eu nunca duvidei que amamentaria meus filhos exclusivamente no peito. Antes de eles nascerem, começamos uma busca por um/uma pediatra com quem tivéssemos afinidade. Estivemos com 4, todos bons, mas todos diziam coisas como amamentar gêmeos era "praticamente impossível" e por aí vai. Não demos bola. Finalmente, achamos um pediatra, o 5o que visitamos, que disse de cara que claro que sim, que era possível amamentar gêmeos. Eu queria um médico ou uma médica que corroborasse minhas decisões, e achei este, Dr Julio Cukier, que era um senhor de grande reputação em Buenos Aires, e de uma prática de pouca intervenção. Foi uma parceria perfeita.


Eu nao tive uma orientação específica para amamentar. No hospital, veio uma puericultora, mas era tanta confusão e tanta gente falando na sua cabeça que aquilo na verdade não me serviu não. No entanto, um tempo antes de eles nascerem, num curso pré-parto que fiz (era obrigatório o acompanhamento de uma parteira durante a gravidez), diante da histeria coletiva com o medo das futuras mamães de não conseguir amamentar, eu tive uma sacada importante: senti que amamentar era um ato de amor, de doação, e que acharia meu caminho junto das crianças quando eles nascessem -sem muito auê, sem livros, sem aulas com ninguém. Com recolhimento, concentração e dedicação. Foi exatamente assim que rolou.


Os meninos nasceram com 2,5 kilos cada. No começo, o pediatra os pesava com bastante frequência, pois queria ter certeza de que estavam subindo de peso. Acho que nos primeiros 10 dias de vida eles devem ter sido pesados umas 4 vezes. E o peso subia. Também, eu não tirava os dois do peito! Acho super importante amamentar por livre demanda pelo menos no começo, para garantir a provisão de bastante leite. Depois as coisas entram num ritmo em que o corpo já se acostumou à demanda. A oferta é totalmente proporcional à demanda. Tem de deixar mamar bastante para produzir bastante leite.


Como eram nossos primeiros filhos, a gente ficou bem neurótico com essa questão do peso. A gente anotava numa caderneta quem mamou em cada peito (porque trocava, a cada mamada, de peito e de filho) e por quanto tempo. Eu me lembro que durante muito tempo eu tive "livre", para mim, menos de uma hora entre as mamadas. Ou seja, nao fazia mais nada a não ser dar peito mesmo. Mas eu estava disposta a viver isso assim. Foi uma escolha minha. Apóio quem quer tentar amamentar assim, e apóio igualmente quem escolhe diferente, quem não quer ficar "presa" amamentando dessa forma. Não gosto e não concordo com a pressão que as mulheres sentem, se impõem e muitas vezes reproduzem. Eu amamentei 1 ano e quando quis parar de dar peito, senti culpa (mas banquei e parei de dar). Nós mulheres carregamos muitos fardos, muitas expectativas. Temos de ser livres para descobrir, cada uma, nosso caminho único na maternidade.


No primeiro mês, eles mamavam ao mesmo tempo, cada um num peito. Especialmente de madrugada. A gente quase nao dormia mesmo, demorou muito para eles dormirem umas 6 ou 7 horas seguidas, os dois - isso só foi acontecer quando eles tinham uns 8 meses, e foi um alívio enorme. Bem, voltando ao lance de dar peito simultaneamente aos dois, eu fui vendo que não dava muito certo logo que eles cresceram um pouquinho. Por mais que fosse mais cansativo, cada um passou a mamar sozinho, na sua vez. Eu sempre botei um para mamar na sequência do outro (pedisse o outro ou não), porque assim organizava minimamente as coisas. A gente sempre buscou construir, desde o começo, rotinas, que mantemos até hoje.

A ajuda de uma especialista em lactação foi importante quando eu voltei a trabalhar, aos 5/6 meses, e tive de introduzir a mamadeira. Nenhum dos dois, claro, aceitava. Foi super difícil. Meus peitos jorravam leite e eu tinha de acostumá-los com a mamadeira. Tive mastite duas vezes, até que fui a um hospital conversar. Aí tive orientação de uma especialista, que me ensinou como tirar paulatinamente o peito. Os meninos finalmente aceitaram a mamadeira, mas com 8 meses tomavam leite (de fórmula) no copo. A mamadeira foi um recurso provisório, entre o peito exclusivo (até os 6 meses) o e copo+peito (a partir do oitavo mês). Não quis usar a máquina de tirar leite. Já que ia diminuir o peito, quis a liberdade do leite de fórmula. Mamaram no peito até 1 ano, quando eu decidi parar e tirei o peito. O Nuno já quase não mamava, mas o Caio mamava e muito. Acho que se deixasse ele mamaria até hoje rsrsrs.


O Fernando não foi apenas um pai muito presente,
ele foi simplesmente essencial para o sucesso
da amamentação dos filhos gêmeos

MENU DO BEBÊ:
Eu também tentava pôr Ana e Davi para mamar ao mesmo tempo, mas para isso precisava de alguém para me ajudar a posicioná-los no peito. Como você fazia para amamentar os meninos e quem te auxiliava?

 
Vanessa:
O Fernando, meu marido. Eu não amamentei o Caio e o Nuno. Nós amamentamos. Ele parou de trabalhar e ficou por conta durante o primeiro ano de vida deles. Sem dúvidas, esse foi um fator central. Nos primeiros dois meses após o nascimento, que foram os meses mais difíceis, eu fiquei muito arredia, tristonha, fechada no ninho, querendo ficar a sós com os bebês (nao queria saber de visitas, de confusão). O fato de que ele estava lá, sempre por perto, foi muito importante, me dava segurança. Quando voltei a trabalhar aos 5/6 meses, ele cuidava sozinho dos meninos. Um gênio da espécie masculina. Fomos ter babá quando os meninos fizeram 1 ano - e sempre de dia, nunca tivemos ajuda noturna ou nos finais de semana. Como vivemos no exterior, longe das famílias que sempre dão uma mão, foi super cansativo, não tivemos vida social por muito tempo, brigamos muito por cansaço, a nosso vida de casal ficou de lado, mas essa fase mais dura passa - passa! Por outro lado, esse tipo de dedicação que tivemos gerou uma segurança grande na gente, e uma proximidade muito especial com as crianças. E tudo isso começou, acho, com a opção de amamentação que fizemos.

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Vanessa, a gente sabe que cada família tem a sua maneira de ser e de criar os filhos e, também por isso, não é muito fácil dar conselhos. De todo modo, será que você podia deixar uma mensagem para os casais que acompanham o blog, especialmente para aqueles que se preparam para, em breve, receber dois (ou mais) bebês?

Vanessa:
Acho que especialmente para quem nunca teve filhos e vai começar com uma duplinha, o importante é confiar em si: acreditar na nossa capacidade de amar, de procriar, de criar... e não dar bola para palpites que aterrorisem, que assustem, se afastar de quem diz que você nunca mais vai dormir ou absurdos assim rsrsrs. Pode valer a pena conhecer outras histórias (se forem positivas), ler algumas coisas ou fazer algum curso, mas não é essencial. O essencial está na gente, e cada casal constrói o seu caminho.

Querida Vanessa, muitíssimo obrigada pelas respostas, pela sinceridade e pela linda mensagem final. Como eu disse, você foi meu exemplo real de que a gravidez e amamentação de gêmeos podem acontecer de maneira tranquila e feliz. Admiro muito a maneira como você e o Fernando criam os meninos: com liberdade, mas com muito aconchego, segurança e amor.  

Nuno e Caio (3 anos e meio) curtindo as férias no Brasil.
Eu adoro esses sapecas!


2 de jan. de 2012

RETROSPECTIVA!! Posts sobre amamentação

Na faixa lateral direita, há uma lista dos assuntos que temos aqui no MENU DO BEBÊ. Quem quiser ler todos os posts que já foram publicados aqui no blog sobre leite materno, basta clicar na opção "amamentação". Contudo, como estamos na semana de retrospectiva, vou listar os posts mais significativos
de cada assunto. Escolhi, claro, começar com o meu assunto predileto. Espero que vocês gostem desse compilado! : )

A pega correta do bebê é quase tudo o que você precisa aprender para a amamentação ser um sucesso. Quer saber como é?

Muitas gestantes esfregam o bico do peito como forma de se preparar para a amamentação. Mas isso NÃO É PRECISO E NEM RECOMENDADO! Um pouco de sol, no entanto, não faz mal algum. Leia os detalhes em

Trabalhar e amamentar é uma equação difícil mas possível! A mamãe Renata nos conta como se planejou para voltar ao trabalho e garantir a continuidade da dieta 100% leite materno de sua princesa Malu.


Amamentar bebê prematuro foi o tema de uma emocionante entrevista com a mamãe Bianca. Com muita determinação e com o apoio de uma especialista em lactação, a amamentação do Luís foi um sucesso.

Muita gente não acredita, mas é sim possível amamentar gêmeos. É possível até mantê-los em aleitamento materno exclusivo por muitas e muitas semanas. A minha dupla Ana e Davi ficou assim até os 5 meses e meio e continuaram mamando até os 9 meses.

Bebês que estão só no peito precisam de água? Não! Quando começam com os sólidos, aí sim é imprescindível oferecer água nos intervalos das refeições."


Afinal, amamentar doi ou não? Os detalhes eu conto no post, mas a resposta eu adianto aqui: NÃO DOI!



7 de nov. de 2011

DBB 3 Renata Cenedesi: AMAMENTAR E TRABALHAR


Renata e Maria Luísa
A ampliação da licença maternidade para 180 dias foi comemorada por todos os órgãos de defesa da criança e, claro, por todas as mamães que se beneficiaram de preciosas semanas a mais em casa com seu bebê. Seis meses representam o período recomendado de aleitamento materno exclusivo. Assim, uma licença maternidade maior não apenas fortalece o vínculo mãe-filho, mas também ajuda e muito no sucesso do aleitamento materno exclusivo por 6 meses, como é mundialmente recomendado.

A licença maternidade é um direito reconhecido pela Organização Mundial do Trabalho há quase 100 anos, mas o período de licença e a remuneração para as mães trabalhadoras varia de país para país. A conquista da ampliação dessa licença para 6 meses aconteceu ano passado (2010) em nosso país, o Brasil. Mas e as lactantes que estão mundo afora? É como dissemos, os direitos trabalhistas no pós-parto variam bastante a depender do país (há mesmo variações entre cidades do mesmo país), mas, de modo geral, a licença remunerada não passa dos 3 meses, o que faz com que as trabalhadoras do Brasil estejam entre as mais beneficiadas do mundo (pelo menos no tocante à licença maternidade!). Uma conquista e tanto! Há, no entanto, generosas exceções, como nos países nórdicos em que a licença maternidade pode até ultrapassar 1 ano.

Enfim, a licença pode ser curta ou até bem longa, mas voltar a trabalhar depois de semanas de dedicação exclusiva ao bebê não é fácil. Para falar dessa etapa que tantas mulheres enfrentam, entrevistei uma amiga muito querida e mamãe de uma princesa chamada Maria Luísa, que tem quase 6 meses de pura fofura.

A linda e sorridente Malu

A Renata foi uma das primeiras pessoas que soube da minha última gravidez. Eu ainda estava atordoada com a notícia da gravidez não planejada (e ainda nem sabia que eram gêmeos!) quando fui ao batizado do Deco, afilhado dela. No almoço de comemoração, eu e meu marido contamos a novidade aos amigos presentes e ela me contou que também queria muito ser mãe. Torcemos juntas para que ela ficasse grávida logo e isso aconteceu poucos meses depois. Alegria geral! No próximo dia 13, a Malu completa 6 meses de vida e vai receber muitos beijinhos. Felicidades para essa risonha boneca e um SUPER PARABÉNS à mamãe Renata, que empenhou todo esforço para manter o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, mesmo depois da volta ao trabalho. Vamos descobrir como ela conseguiu?

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Renatinha, quando você começou a pensar em como seria a volta ao trabalho? Você se preocupava com isso desde que a Malu nasceu ou foi um assunto que você só pensou quando a licença estava perto de terminar?

Renata:
Eu me preocupei desde o primeiro momento que recebi o resultado positivo da gravidez. Até nos mudamos de apartamento para um mais próximo do meu trabalho já pensando que na primeira necessidade eu poderia sair correndo para casa.

Eu tive uma gestação muito tranqüila e trabalhei até a 38ª semana. A previsão era de que a Malu nasceria no início de maio, mas, a danadinha ainda demorou quase 15 dias para nascer e eu fiquei numa angústia só porque lá se iam 2 semanas da minha licença.

Como eu trabalho em um organismo internacional (Tribunal Permanente de Revisão do MERCOSUL) todas as licenças são determinadas por uma normativa internacional e infelizmente a norma só dá direito a 12 semanas de licença por maternidade. Devido a este pouco tempo, eu também me organizei para poder pegar mais 10 dias de férias. Deste modo eu consegui ficar 3 meses de licença e me dediquei exclusivamente aos cuidados da minha pequena.

MENU DO BEBÊ:
Agora vamos falar da amamentação. Conte um pouco como foi o início do aleitamento materno, pega da Malu, seu sentimento.

Renata:
Durante a gravidez eu nem pensei em outra possibilidade senão o aleitamento materno. Nem comprei mamadeiras, nem nada. Estava determinada que iria amamentar. Fazia massagens nos mamilos com uma pomadinha de glicerina para fortalecer a pele do lugar e durante a gestação, sempre que tinha oportunidade, perguntava às amigas, primas e tias como seria o processo. Cheguei a ser chata às vezes (risos). Na maternidade, antes mesmo do parto adverti às enfermeiras e o meu obstetra que queria a minha filha no quarto comigo e que de imediato queria amamentar.

A minha bolsa rompeu e entrei em trabalho de parto, mas como não dilatava tive que fazer uma cesárea de urgência. No entanto, isso não impediu a amamentação. Logo depois da cirurgia, e ainda sob efeito da anestesia, a enfermeira entrou no quarto com a Malu nos braços e a colocou no meu peito. Foi mágico! Na mesma hora ela abocanhou direitinho e começou a sugar com força. Todos que estavam no quarto ficaram admirados e eu não contive o choro, porque apesar de ser lindo, dói! Hahaha

Passei 48 horas no hospital e foi um pesadelo, porque como a Malu teve boa pega e tinha bastante força, ela mamou o colostro de uma vez e o meu leite demorou um pouco para descer. Durante a noite ela chorava e chorava e não demorou muito para aparecer uma enfermeira para perguntar se eu não queria dar suplemento, até beirou à grosseria por me dizer que a minha filha era uma gritona porque tinha fome. Nem preciso dizer que eu fiquei aos prantos, fora o medo que surgiu de não ter leite. Mas, com a ajuda do meu marido a Malu passou a noite intera no peito e no dia seguinte eu estava com os peitos cheios, e eu só precisava de vez em quando arrumar a boquinha em forma de peixinho para a Malu mamar até se saciar.

Voltar para casa foi um alívio e eu amamentei à livre demanda durante todo o primeiro mês, só depois comecei a controlar os horários de dar o peito a cada 3 horas.



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 Quando sua licença terminou, a Malu só tinha 3 meses. Como você se preparou para voltar a trabalhar e continuar a amamentar?

Renata:
 Só a idéia de ter que deixar a minha filha em casa aos cuidados de outra pessoa me fazia entrar em pânico, e o que dizer quanto o assunto era amamentação. Até passou pela minha cabeça deixar de trabalhar. Eu acho que isto acontece com todas as mães que trabalham fora de casa, mas no meu caso, não havia alternativa, eu tinha que voltar a trabalhar.

Quando a Malu completou 1 mês começou a contagem regressiva. Eu tinha exatamente 2 meses para me organizar.Foram muitas noites sem dormir. Entre uma mamada e outra eu ficava pesquisando na internet para encontrar o melhor método para a retirada de leite, estocagem etc. E novamente, em todas as oportunidades, eu recorria às amigas para resolver as minhas dúvidas.

Foram muitas dicas válidas, mas nenhuma amiga próxima tinha vivenciado o que eu estava prestes a viver: No princípio, eu tentei retirar o leite com a mão, mas eu não consegui pegar o jeito; não conseguia nem tirar 30 ml com o método. Por isso decidi investir em uma bomba elétrica. Foi a solução para a retirada do leite, mas aí vivi outro dilema: como oferecer o leite? Colher, copinho ou mamadeira?

Malu e o orgulhoso papai
A recomendação era não dar a mamadeira, mas eu teria que ter mais tempo para ensinar a babá a dar de colherinha, e o copo me preocupava porque a Malu algumas vezes engasgou com o peito e o que dizer com o copinho. Enfim, a alternativa foi a mamadeira. Mas com duas dicas preciosas. A primeira foi do pediatra da Malu que disse que a mamadeira nunca pode ser dado pela mãe. Este foi o meu primeiro erro. Na primeira tentativa de dar a mamadeira, eu estava perto e ela só chorava. Na segunda tentativa, foi o papai quem deu. E ela mamou um pouco sem chorar. Na terceira vez ela já mamou 100 ml de uma vez.

A segunda dica quem deu foi a madrinha da Malu, que é fisioterapeuta e estudante de medicina. Ela me contou que não basta o bico da mamadeira ser com boca larga, e sim que o furo deve ser minúsculo para que o bebê faça mais força e com isso se sinta muito mais confortável mamando no peito e não na mamadeira.

Assim, com essas duas dicas seguimos até hoje alternando peito e mamadeira.

MENU DO BEBÊ:
E quanto a estocagem? Você congelou bastante leite?

O aparato da mamãe que amamenta e trabalha
Renata:
Antes de voltar ao trabalho eu comecei a congelar o leite nos saquinhos próprios para congelamento. Mas não tinha uma disciplina muito rígida, então eu tirava o leite quando não estava muito cansada e quando a Malu dormia. Quando voltei a trabalhar eu tinha esticado aproximadamente 1 litro. No entanto, tive dois episódios de falta de luz. Na primeira vez eu consegui oferecer à Malu o leite descongelado. Mas na segunda tive que jogar mais de meio litro de leite fora. Literalmente, chorei pelo leite derramado. Hoje já não tenho leite estocado. Só congelo 1 ou duas mamadeiras quando retiro mais leite nos finais de semana, só por precaução. A minha rotina de retirada é mais tranqüila e com muita disciplina o meu corpo foi se acostumando com a produção necessária.

MENU DO BEBÊ:
Agora nos conte como é a sua rotina pra lá de puxada.

Renata:
A Malu já dorme das 12:00hs até as 6:00 da manhã, mas eu continuo me levantando de madrugada para a retirada do leite.

Assim que para resumir a minha rotina é a seguinte:

6:00 hs: A Malu acorda, eu troco as fraldas dela e amamento. Ela normalmente mama bastante, os dois peitos. Ela já não dorme mais, nem a mamãe ( risos).

7:30 hs: Chega a babá. Aí eu literalmente entrego a Malu aos cuidados dela e vou tomar café da manhã e me arrumar para ir trabalhar.

8:30hs: Ofereço o peito novamente à filhota, ela normalmente mama mais um pouquinho, só pra se despedir da mamãe ( risos)

9:00hs: Já estou no trabalho.

11:00 hs: Digo aos colegas que desaparecerei durante 15 minutos, é o tempo que necessito para retirar 100ml. Tento sempre tirar 50ml de cada peito.


Leite materno na mamadeira quando a mamãe está no trabalho.

12:30 hs: Almoço rapidinho pois o meu horário de trabalho é continuado.

14:00 hs: Desapareço mais 15 minutos e tiro mais 50 ml do peito que ficou mais cheio.


15:30hs: Já estou em casa. Tiro a roupa do trabalho, lavo as mãos, o rosto, os seios, tomo dois copos gigantes de água e vou dar de mamar. Normalmente a Malu quer mamar logo que eu chego em casa. Ela mama e tira uma sonequinha. Aí eu aproveito para descansar um pouquinho também.

16:00hs: A Babá vai embora. E ficamos juntos, papai, mamãe e filhinha. Hora de brincar e colocar o papo em dia com o maridão


17:30 hs: Hora do banho. O papai sempre está presente, porque ele sai para dar aula durante a noite. Aí ele me ajuda a arrumar a bagunça durante o período que estou amamentando. Depois do banho é o horário que a Malu mais mama. Os dois peitos sem parar.

19:30 hs: Normalmente a Malu já está no berço dormindo profundamente. Aproveito para jantar. Como comida mesmo: Arroz, feijão, carne, salada ... o que tiver!! E muita água! Descanso um pouquinho.


22:00 hs: O meu marido chega do trabalho e eu corro para o banheiro para tomar uma ducha e cair na cama.

24:00hs: A Malu acorda para mamar. É a última mamada da noite. Desde vez ela mama pouco. Aí me preparo para ordenhar. Desta vez tiro pouco leite, normalmente 50 ml (o cansaço influencia muito). Mas esvazio os peitos.


4:00 hs: A Malu já não acorda, mas eu sim. Os peitos estão cheios e ordenho 150 ml. Pronto. Já tenho o leite para as 6 ou 7 horas que fico fora de casa.



O cálculo que faço é de 30 ml por kilo para cada mamada. Como a Malu está com mais de 7 kilos, sempre tento deixar leite para 2 mamadas, mas se por algum motivo eu não consigo retirar o leite suficiente na madrugada anterior, tento retirar mais no trabalho ... aí o papai vai buscar o leite fresquinho para dar na mesma hora. Essa é a vantagem de morar perto do trabalho.

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A primeira papinha da Malu vai acontecer nos próximos dias. Eu fico superorgulhosa do seu esforço e vitória em manter o aleitamento materno exclusivo por 6 meses, mesmo depois da volta ao trabalho. Valeu a pena?

Renata:
Como Valeu! Só o sorriso da minha garotona me faz esquecer todo o sacrifício.

É preciso muita disciplina, é cansativo, as olheiras não desaparecem mas é o que mais me deu satisfação na vida.

Agora que ela começará com as papinhas, continuarei com a retirada do leite no trabalho e durante a noite para poder deixar pelo menos uma mamadeira cheia para ela, e se Deus quiser continuarei amamentando nos horários que estiver em casa.

Renatinha, muito obrigada pela entrevista! Tenho certeza que muitas mães se identificarão com essa incrível rotina de trabalhar fora, amamentar, ser esposa, cuidar do bebê, fazer com que a casa funcione bem...ufa, é trabalho sem fim! É muito bom saber que dá para voltar a  trabalhar sem deixar de amamentar.

Renatinha e sua princesa em festinha
aqui em casa
O que é a série DBB?

25 de out. de 2011

DBB 2: Amamentação interrompida


Mamãe, não fique triste, mas não queremos mais mamar

Amamentar meus filhos foi uma experiência única não apenas no sentido de ter sido especial e marcante, mas também porque com cada um dos 4 aconteceu de forma diferente.

Com minha primeira filha, foi como eu sempre quis: aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e continuou mamando até bem mais de 1 ano. Quando tive Lucas, a amamentação não foi bem-sucedida para minha grande tristeza e surpresa: nunca imaginei que eu teria qualquer dificuldade, depois de já ter experiência de sobra no assunto (no post ALIMENTAR COM AMOR É O MAIS IMPORTANTE eu conto mais detalhes). Aí vieram os gêmeos e também o desafio inédito de amamentar dois. Foi simplesmente maravilhoso acompanhar o crescimento dia após dia de Ana e Davi mamando apenas no peito. E assim ficamos até os 5 meses e meio.

Na comemoração dos 9 meses, Ana e Davi ainda mamavam bastante.
Que pena que acabou, eu planejava
continuar amamentando por muitos meses mais!
Tudo indo muito bem, introdução dos alimentos feita com cuidado, alimentação cada dia mais variada e consistente e amamentação 3 vezes ao dia. Antes de completarem 8 meses, eu comecei a dar também fórmula infantil. Se o bebê continua mamando bastante depois da introdução dos alimentos, não é necessário dar fórmula de imediato. Eu optei por dar porque queria testar a aceitação dos meus bebês e também para facilitar um pouco a minha vida, já que às vezes era complicado conciliar o horário de amamentar (no início os 2 mamavam ao mesmo tempo. Quando foram crescendo, aí tinha que ser um por vez. O problema era quando a fome de Ana e Davi atacava ao mesmo tempo. Gritaria em casa e mãe desesperada. Aí minha solução era dar mamadeira com fórmula para um e peito para o outro).

Quando viajei por uma semana, fiquei bem preocupada em como seria restabelecer a rotina da amamentação. Ainda que eles já tivessem mais de 9 meses, o plano era que continuassem no peito por muitos meses mais. A minha estratégia foi deixar leite estocado no freezer e levar a bomba para extrair leite 3 vezes ao dia, a fim de manter uma boa produção nesse período de separação. Quando voltei de viagem, a ansiedade era imensa para rever os meninos e também para pôr os bebês para mamar. Mas o que aconteceu, vocês já sabem: eu mal cheguei em casa e tive que ser hospitalizada (apendicite). Aí a separação se prolongou por mais uma semana. Quando recebi alta, ainda tive que tomar antibióticos por mais alguns dias. Há fármacos seguros para uso durante a lactação, outros são moderadamente seguros durante a lactação e ainda há os que se encontram na categoria de potencialmente perigosos, é preciso que você e o médico estejam bem informados. No meu caso, recebi recomendação para não amamentar durante o tratamento medicamentoso no pós-operatório.

Quando finalmente tudo isso acabou, corri para pôr os bebês no peito. Nada feito! Boquinhas fechadas, cabeçinhas balançando em negativa....já não querem mais mamar. Não sei se foi o tempo prolongado sem o peito, não sei se o leite mudou de sabor por causa dos antibióticos, só sei que não teve jeito de meus bebês voltarem a mamar : (

Eu sei que não posso me queixar, que gêmeos no peito até mais de 9 meses já era um saldo pra lá de positivo, mas a minha meta era bem maior. E essa história veio parar aqui porque pode ser que uma viagem inesperada ou uma apendicite ou qualquer outra intervenção cirúrgica aconteça com outras lactantes. Eu sei de casos assim, de separação temporária, e que a amamentação foi retomada sem maiores problemas. Mas pode ser que não. O que eu queria mesmo reforçar é a ideia que, sim devemos nos esforçar e fazer o que parece possível para amamentar nossos filhos, mas não temos como controlar as situações de força maior. No meu caso, a amamentação foi interrompida contra minha vontade aos 9 meses, mas poderia ter acontecido bem antes. Se aconteceu com você, vamos fazer um acordo? Peito para frente, nada de sentimento de culpa e muita saúde e coragem!